domingo, 27 de setembro de 2009

Relatos sobre a Importância da Leitura


Profa. Maria de Fátima

“Quem lê vai longe, sabe mais, tem mais chance, desenvolve melhor qualquer atividade, raciocina com mais ênfase e produtividade.”
Quando éramos crianças, eu e meus irmãos, todos os dias, nossa mãe nos levava para sua cama e contava-nos estórias de literatura de cordel até dormirmos. Quando olhei os romances em sua mão, profa. Erla, tive vontade de chorar, voltei à infância e recordei que já não tenho mãe. Aqui chamamos esses livrinhos de romance e entre eles encontrei um muito conhecido por mim, O pavão misterioso. Minha mãe lia os versos cantando para nós e meu avô, que não sabia ler dizia que ela lia “de carreirinha” e um dia vi essa expressão na novela O bem amado e achei o máximo. O Zeca Diabo falando parecia meu avô. Eu pensava sempre que quando crescesse queria ler “de carreirinha” igual a minha mãe.
Aprendi a ler muito cedo. Naquela época meu sonho era ser professora. Aos 15 anos tornei-me professora do MOBRAL, pois queria ajudar adultos que não sabiam ler, inclusive a nossa empregada que é alguém que consideramos muito. Um dos dias mais felizes de minha vida foi o dia que ela leu uma frase e escreveu seu próprio nome. Ela ainda é viva e escreve bilhetes para mim porque, hoje, ela mora em outra cidade. Também pude ajudar várias amigas da minha mãe e sint-me útil e realizada por isso.


Profa. Maria de Fátima Viana da Costa
Capinzal do Norte_MA





Nos dias atuais é praticamente impossível falarmos de leitura, sem associarmos á prática da escrita. Ela se faz presente das mais variadas formas em nosso cotidiano. É importante conhecê-la para que assim possamos fazer o reconhecimnto da escrita como práticas sociais.
A exemplo da importância do ato de ler, posso citar uma pessoa que durante toda minha vida me incentivou a estudar e a ler muito: Raimundo Natal(meu pai).
Raimundo Natal foi o leitor mais brilhante que já conheci. Ele nunca havia sido alfabetizado, pois casou-se muito cedo e teve que trabalhar arduamente para criar com dignidade seus nove filhos. Sempre acompanhou nas tarefas de casa, sempre participou de nossa vida escolar(embora não soubéssemos que ele não sabia ler). Da sua maneira, conseguia nos ensinar e despertar em nós o gosto pela leitura.
Somente quando completei 25anos e já tinha terminado minha faculdade, adoeci de conjuntivite e fiquei impossibilitada de ler, então recorri a ele para ler um ofício que a escola que eu havia trabalhado tinha mandado. Veio então a surpresa: meu pai começou a chorar e me revelou que ele não poderia ler aquele papel, simplesmente, porque ele não sabia ler. Ficamos perplexos com a revelação. Como poderia alguém tão culto, alguém que todos os dias de nossas vidas lia para a gente não saber ler?
E com base nos estudos de Paulo Freire e de Emília Ferreiro, iniciamos o processo de alfabetização com meu pai. Deu certo e hoje ele não só é alfabetizado como já está terminando o Ensino Fundamental Maior, através da Educação de Jovens e Adultos.
Com tudo isso não posso negar a importância da leitura em nossas vidas. Independetemente da classe social a qual estamos inseridos. E que nunca é tarde para aprendermos.
Profa. Francinete Barrozo da Silva
Porto Franco_MA


Festas Folclóricas do Maranhão

Boi Maracanã de Matraca











Boi Mirante da Ilha












Festa do Bumba-meu-Boi no Maranhão
Manifestação mais expressiva da cultura popular do Maranhão. Carro chefe do folclore do Estado. Símbolo de grande representação para a nossa gente. Sim, o bumba-meu-boi é tudo isso e muito mais na realidade cultural maranhense, onde ocupa lugar de destaque, sendo feito tradicionalmente em homenagem a São João – o Santo protetor, padroeiro da brincadeira.
O período áureo da Boiada ocorre durante os festejos juninos, embora hoje os grupos façam nos vários meses do ano as chamadas apresentações extra-época.
O tradicional ciclo da festa do boi constitui-se de quatro etapas básicas: ensaios (de caráter preparatório, que vão do sábado de aleluia até o dia de Santo Antônio - 13 de junho - ou ao sábado mais próximo deste, quando se dá o ensaio redondo - fecho dessa fase); batismo (em que o boi recebe as bênçãos de São João, a 23 de junho - véspera do seu aniversário, estando pronto para começar a temporada anual); apresentações públicas juninas (que se estendem até o final do mês de junho, numa verdadeira maratona de brincadas em “arraiás” ou largos e nos mais variados terreiros (locais) que contratam os bumbas); e festa da morte do Boi (marco final da boiada do ano acontece, do fim do mês de julho até outubro, novembro, em meio a grande animação nos rebanhos ou sedes dos grupos, com a participação de um expressivo público).
O bumba-meu-boi maranhense acha-se dividido em “sotaques”, ou seja, estilos, tipos, os quais representam versões ou faces da brincadeira, sendo cinco os mais conhecidos: matraca, zabumba, orquestra, baixada e costa de mão. Apresentam diferenças em relação a ritmo, coreografia, instrumentos musicais, personagens, indumentárias... Em todas eles a figura do boi, com seu couro de veludo negro ricamente bordado, evolui de forma graciosa com seu miolo, sob o comando dos “amos” cantadores, debaixo de muitas toadas (cantigas) e tropeada (batuque dos instrumentos).
SOTAQUE DE MATRACA É característico da Ilha de São Luís, tendo como principais instrumentos as matracas (duas tábuas de madeira geralmente enceradas) e os pandeiros (grandes rodas de arco de madeira cobertos de couro de cabra).Tem um ritmo acelerado, sob o som estridente de dezenas de matraqueiros, formando grandes batalhões, onde o pessoal da percussão vem todo à paisana. Na frente acha-se o cordão de rajados, no qual chamam atenção os cablocos de pena com o seu forte bailado, ao lado das tapuias.
SOTAQUE DE ZABUMBA Advindo do município de Guimarães e circunvizinhanças, tem forte presença africana, com sua percussão marcada pelo ritmo socado de grandes tambores - as zabumbas - levados numa vara e tocados com uma maceta, juntamente com pandeirinhos e maracás. As roupas dos seus brincantes trazem golas e saiotas de veludo preto bordado com primor e chapéus formando uma guirlanda, com numerosas fitas multicoloridas, que na evolução do brincante chegam quase a cobrir seu rosto.
SOTAQUE DE ORQUESTRACom o berço na região do Munim apresenta um ritmo alegre, faceiro e cambriolante, produzido por uma bandinha de instrumentos de sopro e cordas, como pistom, saxofone, clarineta, banjo e outros. O cordão é formado por brincantes trajados com peitilho ou colete e saiote de veludo bordados com miçangas e canutilhos, que, com um maracá na mão, suscitam o balanceio do boi, embalado pela sua envolvente musicalidade.
SOTAQUE DA BAIXADAUsando matracas e pandeiros menores que os bois da ilha, apresenta um toque mais lento, leve e suave. No seu guarda – roupa exuberante destacam-se os chapéus dos vaqueiros, com grandes testeiras de veludo preto bordado, cercados de pena de ema. Um personagem característico deste sotaque é o Cazumbá - de caráter místico, mistura de homem e bicho, que usa bata comprida de pano rústico pintado ou veludo bordado e máscara de madeira, em formato de animais, de pano ou isopor (mais comuns no interior, formando verdadeiras esculturas).
SOTAQUE DE COSTA DE MÃO Da região de Cururupu tem as roupas (casacos e calções) de seus brincantes de veludo todo bordado, além de chapéus em formados de cogumelo afunilado, com fitas coloridas e grinaldas de flores, no alto. Seus pandeiros pequenos são tocados com as costas das mãos, num ritmo cadenciado, que conta também com caixas e maracás.

Formação de Professores em São Luís
















quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Língua nossa de cada dia

Cada lugar tem uma linguagem
Todo lugar tem uma mania
Todo falar reflete a cultura
A linguagem do povo é sua valia
São expressões populares
De lugar pra lugar varia

Apresento algumas expressões
Aproveitando a ocasião
Em que o assunto estudado
É a língua e sua variação
Alguns falares patoenses
Preste muita atenção

Se fulano “ta bateno berada”
É porque ta andando por aí
Se Maria ta “buchuda”
Uma criança vai parir
Se eu mando alguém “vazar”
Tô mandando ele sair

Tô “cagando e andando pra ele”
É porque não estou nem ligando
Se alguém me “engabelou”
É o mesmo que me “enrolando”
E quando eu falo: “a peda”
Alguém estou contrariando
Se chamo alguém de “boca aberta”
É o mesmo que “abestaiado”
É alguém que é muito tolo
Não sabe dá um recado

Se quero dizer que é feio
Digo: “eita, mas é moiado!”
Se quero dizer que é horrível
Digo: “feio, não, duente!”
Digo: “cara da Ieda”
Se a feiura é deprimente
É o “cão chupando manga”
Se for feio e pra frente
Se quero dizer que é gay
É só de “qualira” chamar
E até “pé de mirindiba”
Usa pra poder xingar
Alguém que é gay e rico
E não pode se mostrar

É uma coisa impressionante
O falar do brasileiro
Parece outro idioma
Mas o entendimento é ligeiro
Todo mundo se comunica
Sem precisar de roteiro
É a variação lingüística

É a cultura e seu jeito
Com os falares do povo
Não precisa preconceito
E “pófilo!”, isto é,
Tenho dito, tenho feito.

Autoria: Lúcia Braúna
Colaboração: Rogério Carvalho

Cacuriá da D. Teté











O Cacuriá é uma dança típica do estado do Maranhão, no Brasil, surgida como parte das festividades do Divino Espírito Santo, uma das tradições juninas. A dança é feita em pares com formação em círculo, o "cordão", acompanhada por instrumentos de percussão chamados caixas do Divino (pequenos tambores).
No final da Festa do Divino Espírito Santo, após a chamada derrubada do mastro, as caixeiras do
carimbó podem descansar. É neste momento que elas passam à porção profana da festa, com o cacuriá. A parte vocal é feita por versos improvisados respondidos por um coro de brincantes. O ritmo é uma derivação do carimbó maranhense.
Inicialmente, o cacuriá era praticado unicamente com as caixas, mas aos poucos foi-se acrescentando outros instrumentos, como
banjo, violão, clarinete e flauta.
A representante mais conhecida do cacuriá é
Dona Teté do Cacuriá, uma percussionista maranhense muitas vezes creditada como uma das criadoras do ritmo e considerada responsável pela introdução dos novos instrumentos.

(Origem: Wikipédia, em 24/09/2009)