“Quem lê vai longe, sabe mais, tem mais chance, desenvolve melhor qualquer atividade, raciocina com mais ênfase e produtividade.”
Quando éramos crianças, eu e meus irmãos, todos os dias, nossa mãe nos levava para sua cama e contava-nos estórias de literatura de cordel até dormirmos. Quando olhei os romances em sua mão, profa. Erla, tive vontade de chorar, voltei à infância e recordei que já não tenho mãe. Aqui chamamos esses livrinhos de romance e entre eles encontrei um muito conhecido por mim, O pavão misterioso. Minha mãe lia os versos cantando para nós e meu avô, que não sabia ler dizia que ela lia “de carreirinha” e um dia vi essa expressão na novela O bem amado e achei o máximo. O Zeca Diabo falando parecia meu avô. Eu pensava sempre que quando crescesse queria ler “de carreirinha” igual a minha mãe.
Aprendi a ler muito cedo. Naquela época meu sonho era ser professora. Aos 15 anos tornei-me professora do MOBRAL, pois queria ajudar adultos que não sabiam ler, inclusive a nossa empregada que é alguém que consideramos muito. Um dos dias mais felizes de minha vida foi o dia que ela leu uma frase e escreveu seu próprio nome. Ela ainda é viva e escreve bilhetes para mim porque, hoje, ela mora em outra cidade. Também pude ajudar várias amigas da minha mãe e sint-me útil e realizada por isso.
Profa. Maria de Fátima Viana da Costa
Capinzal do Norte_MA
Nos dias atuais é praticamente impossível falarmos de leitura, sem associarmos á prática da escrita. Ela se faz presente das mais variadas formas em nosso cotidiano. É importante conhecê-la para que assim possamos fazer o reconhecimnto da escrita como práticas sociais.
A exemplo da importância do ato de ler, posso citar uma pessoa que durante toda minha vida me incentivou a estudar e a ler muito: Raimundo Natal(meu pai).
Raimundo Natal foi o leitor mais brilhante que já conheci. Ele nunca havia sido alfabetizado, pois casou-se muito cedo e teve que trabalhar arduamente para criar com dignidade seus nove filhos. Sempre acompanhou nas tarefas de casa, sempre participou de nossa vida escolar(embora não soubéssemos que ele não sabia ler). Da sua maneira, conseguia nos ensinar e despertar em nós o gosto pela leitura.
Somente quando completei 25anos e já tinha terminado minha faculdade, adoeci de conjuntivite e fiquei impossibilitada de ler, então recorri a ele para ler um ofício que a escola que eu havia trabalhado tinha mandado. Veio então a surpresa: meu pai começou a chorar e me revelou que ele não poderia ler aquele papel, simplesmente, porque ele não sabia ler. Ficamos perplexos com a revelação. Como poderia alguém tão culto, alguém que todos os dias de nossas vidas lia para a gente não saber ler?
E com base nos estudos de Paulo Freire e de Emília Ferreiro, iniciamos o processo de alfabetização com meu pai. Deu certo e hoje ele não só é alfabetizado como já está terminando o Ensino Fundamental Maior, através da Educação de Jovens e Adultos.
Com tudo isso não posso negar a importância da leitura em nossas vidas. Independetemente da classe social a qual estamos inseridos. E que nunca é tarde para aprendermos.
Profa. Francinete Barrozo da Silva
Porto Franco_MA