Boi Maracanã de Matraca



Boi Mirante da Ilha
Festa do Bumba-meu-Boi no Maranhão
Manifestação mais expressiva da cultura popular do Maranhão. Carro chefe do folclore do Estado. Símbolo de grande representação para a nossa gente. Sim, o bumba-meu-boi é tudo isso e muito mais na realidade cultural maranhense, onde ocupa lugar de destaque, sendo feito tradicionalmente em homenagem a São João – o Santo protetor, padroeiro da brincadeira.
O período áureo da Boiada ocorre durante os festejos juninos, embora hoje os grupos façam nos vários meses do ano as chamadas apresentações extra-época.
O tradicional ciclo da festa do boi constitui-se de quatro etapas básicas: ensaios (de caráter preparatório, que vão do sábado de aleluia até o dia de Santo Antônio - 13 de junho - ou ao sábado mais próximo deste, quando se dá o ensaio redondo - fecho dessa fase); batismo (em que o boi recebe as bênçãos de São João, a 23 de junho - véspera do seu aniversário, estando pronto para começar a temporada anual); apresentações públicas juninas (que se estendem até o final do mês de junho, numa verdadeira maratona de brincadas em “arraiás” ou largos e nos mais variados terreiros (locais) que contratam os bumbas); e festa da morte do Boi (marco final da boiada do ano acontece, do fim do mês de julho até outubro, novembro, em meio a grande animação nos rebanhos ou sedes dos grupos, com a participação de um expressivo público).
O bumba-meu-boi maranhense acha-se dividido em “sotaques”, ou seja, estilos, tipos, os quais representam versões ou faces da brincadeira, sendo cinco os mais conhecidos: matraca, zabumba, orquestra, baixada e costa de mão. Apresentam diferenças em relação a ritmo, coreografia, instrumentos musicais, personagens, indumentárias... Em todas eles a figura do boi, com seu couro de veludo negro ricamente bordado, evolui de forma graciosa com seu miolo, sob o comando dos “amos” cantadores, debaixo de muitas toadas (cantigas) e tropeada (batuque dos instrumentos).
SOTAQUE DE MATRACA É característico da Ilha de São Luís, tendo como principais instrumentos as matracas (duas tábuas de madeira geralmente enceradas) e os pandeiros (grandes rodas de arco de madeira cobertos de couro de cabra).Tem um ritmo acelerado, sob o som estridente de dezenas de matraqueiros, formando grandes batalhões, onde o pessoal da percussão vem todo à paisana. Na frente acha-se o cordão de rajados, no qual chamam atenção os cablocos de pena com o seu forte bailado, ao lado das tapuias.
SOTAQUE DE ZABUMBA Advindo do município de Guimarães e circunvizinhanças, tem forte presença africana, com sua percussão marcada pelo ritmo socado de grandes tambores - as zabumbas - levados numa vara e tocados com uma maceta, juntamente com pandeirinhos e maracás. As roupas dos seus brincantes trazem golas e saiotas de veludo preto bordado com primor e chapéus formando uma guirlanda, com numerosas fitas multicoloridas, que na evolução do brincante chegam quase a cobrir seu rosto.
SOTAQUE DE ORQUESTRACom o berço na região do Munim apresenta um ritmo alegre, faceiro e cambriolante, produzido por uma bandinha de instrumentos de sopro e cordas, como pistom, saxofone, clarineta, banjo e outros. O cordão é formado por brincantes trajados com peitilho ou colete e saiote de veludo bordados com miçangas e canutilhos, que, com um maracá na mão, suscitam o balanceio do boi, embalado pela sua envolvente musicalidade.
SOTAQUE DA BAIXADAUsando matracas e pandeiros menores que os bois da ilha, apresenta um toque mais lento, leve e suave. No seu guarda – roupa exuberante destacam-se os chapéus dos vaqueiros, com grandes testeiras de veludo preto bordado, cercados de pena de ema. Um personagem característico deste sotaque é o Cazumbá - de caráter místico, mistura de homem e bicho, que usa bata comprida de pano rústico pintado ou veludo bordado e máscara de madeira, em formato de animais, de pano ou isopor (mais comuns no interior, formando verdadeiras esculturas).
SOTAQUE DE COSTA DE MÃO Da região de Cururupu tem as roupas (casacos e calções) de seus brincantes de veludo todo bordado, além de chapéus em formados de cogumelo afunilado, com fitas coloridas e grinaldas de flores, no alto. Seus pandeiros pequenos são tocados com as costas das mãos, num ritmo cadenciado, que conta também com caixas e maracás.